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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

domingo, 12 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado. Capítulo 7. Algumas revelações intrigantes

Algumas revelações intrigantes

A cozinheira, mulher obesa e espadaúda, de altura mediana, tinha no frango ao molho pardo o carro chefe dos variados pratos que preparava com inigualável habilidade; ela mesma matava a ave, colhia o sangue e depois dava um toque final com o coentro fresco e viçoso que cultivava nos fundos do quintal. O arroz branco e soltinho era um acompanhamento perfeito, para alegria da mesa. Lá estava ela, preocupada com a comida que borbulhava no fogão a lenha, sem dizer palavra, embora visivelmente emocionada.

sábado, 11 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado. Capítulo 6. Na cena do crime


Na cena do crime

Foi com apreensão e insegurança que o delegado foi logo dizendo:
- A morte me foi anunciada pelas onze horas, por telefone: um empregado, o caseiro, encontrou o patrão caído ao pé da cama, mas quem me telefonou foi o filho, Assis Júnior. Antes de vir para cá, mandei-lhe o bilhete. O sangue escorrido no peito e ainda não de todo seco pode ser visto lá na parte de cima do sobrado, onde o corpo está. Tem um relógio despertador caído no chão, quebrado. Vamos lá?

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado. Capítulo 5. No casarão do Conde Prates

No casarão do Conde Prates

O casarão foi construído, no final do Império, pelo Conde Prates, conhecido capitalista que fez fortuna como banqueiro e investiu bom dinheiro nas ferrovias brasileiras; muito usufruiu do casarão durante os costumeiros passeios que fazia pelas Águas Virtuosas. Mais tarde, o imóvel foi adquirido pelos pais do Coronel Assis, já então prósperos fazendeiros.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado. Capítulo 4. A austeridade de um Coronel de boa vida

A austeridade de um Coronel de boa vida

O Coronel Assis, posto que pessoa de hábitos reservados no seu dia a dia, não deixava passar oportunidades para gozar os sabores da vida mundana, tomando algumas cautelas para não ser pego em seus deslizes. Procurava ao menos manter as aparências perante a sociedade; seus filhos, de outro lado, sabiam de seus passos incertos, embora nada comentassem sobre isso. Foi por essa razão estratégica que o Coronel escolheu o casarão para fixar residência. O mesmo casarão, hoje quase desmoronando, que foi do Conde Prates, com seus aproximados trinta cômodos mal contados, alguns sem luz externa, distribuídos em dois andares de construção sólida pintada de amarelo.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado. Capítulo 3. A simplicidade de um investigador

A simplicidade de um investigador

O meu amigo Guilherme Holders, eu tenho que dizer, era sempre, dentre os investigadores da polícia local, o primeiro a ser lembrado em ocasiões mais graves; meticuloso no trato dos casos mais difíceis na Polícia Civil, raramente deixava algo pendente de solução – antes, pelo contrário, angariou fama entre os seus pares por colocar atrás das grades até os mesmo os mais hábeis criminosos, homicidas ou simples punguistas, aqueles que, por planejarem friamente seus atos, poucos rastros deixam para trás.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado. Capítulo 2. No Morro do Vai e Volta

No Morro do Vai e Volta

Morro do Vai e Volta, Estrada do Vai e Volta, Córrego do Vai e Volta. Ninguém sabe dizer com exatidão sobre a origem do nome, mas é isso mesmo: o morro em que se encrava a minha casa chama-se Morro do Vai e Volta, justamente ao fim da estrada que tem esse mesmo nome. Beirando o córrego do mesmo nome.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado, Capítulo 1. Águas Virtuosas


REVERSO INCLINADO


Dedicação
A Bernadete Pereira de Almeida, companheira de uma longa e feliz caminhada; a meu filho Raul Pereira Frezza, lindo presente que Bernadete me deu; a minha mãe, Olga Basso Frezza, cujo sorriso sempre me alegra.
Aos pesquisadores Gaspar Eduardo de Paiva Pereira, Luiz Roberto Judice, Rubens Caruso Júnior e Jurandir Ferreira, dentre tantos outros que preservam e divulgam nossa história.