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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

domingo, 20 de setembro de 2026

Conto - O carro da saudade

 

As cortinas dos leitos eram cerradas de quando em quando. Repentinamente, sem aviso prévio. Duas ou três vezes por dia. Ou talvez mais vezes, dado que em alguns momentos eu apagava não em definitivo. Mãos rápidas corriam, leito por leito, puxando o cortinado. Pelas frestas, porém, dava para ver: era o carro da saudade que passava, levando mais um inerte e oblongo pacote. Envolto em lençol de pontas firmemente amarradas.

sábado, 1 de agosto de 2026

Crônica - A velha casa da Expedicionários

 

A velha casa da Expedicionários é a terceira mais antiga da Vila. Dois quartos, sala e cozinha, com pé direito baixo e sem forro, formavam um modesto quadrado. Havia um poço, profundo, cavado em meios às pedras, que dava águas cristalinas para a família e para a vizinhança. Consta que meu pai desbravou as ruas, com machado e enxadão.  Onde havia apenas demarcação, a custa do suor paterno é que se abriram os caminhos do lugar. Ao menos dava trânsito para uma carroça e um burrinho. 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Crônica - Crônica irônica

 

Não acredito que possa ser verdade o que vem acontecendo. Custo a acreditar. Tempos de mimimi. Que chatice é essa? Então João Bosco não pode mais cantar Gol Anulado? Não pode mais falar nas cintadas que o flamenguista dá, até cansar, na companheira vascaína? Ah! Tenham dó, né?  Mimimi demais. Uma coisa que era tão comum até há algum tempo. E outra: a mulher é do flamenguista!!! Não é de outro qualquer, não. É dele, né?

domingo, 19 de julho de 2026

Crônica - Dirty play, ou coisa parecida

 

Em 2022, torci pelo Messi, na final contra a França. Considero-o um dos melhores do mundo nos últimos trinta anos, pouco abaixo do Ronaldinho Gaúcho, de modo que o título máximo do futebol lhe cairia bem. Zico, Sócrates e Falcão, que pena, não tiveram esse privilégio. Mas agora, em 2026, me regalei com o título dos espanhóis. Jogaram limpo. Na bola. Tic toc refinado.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Crônica - Mão Santa

 

Foi o meu dileto amigo José Alfredo quem me apresentou alguns dos primeiros estádios dos grandes times paulistas. Morumbi, Vila Belmiro, Pacaembu e Brinco de Ouro.  Juntos assistimos vários jogos do Santos. Alfredão também me apresentou o melhor do basquete brasileiro. Em 1981, acompanhamos quase todos os jogos do Mundial Interclubes, no Ibirapuera, por exemplo.

sábado, 21 de março de 2026

Crônica - Nino, o italiano

 

Antes da primeira televisão chegar, brincávamos, à noitinha, na Expedicionários. Ladeira de terra batida e de respeitáveis voçorocas, nos limites da Vila Mamedina, era ali que pai e mãe postavam, depois da janta, as cadeiras no portão. Esperavam a vizinhança. Pique latinha, passa anel, pega-pega, advinhas e joga-lencinho eram diversões habituais. Queimada, só vez ou outra – faltava bola.

Poesia - Soneto do espelho e do encanto

Na imagem reflexa de antigo espelho

Sonhos vividos plenos em fulgor.

É quando o tempo, presto e de estrambelho,

estilhaça o vidro, rompe o esplendor.