Meu primeiro local de trabalho em São Paulo foi no prédio da Companhia
Comercial de Vidros do Brasil, em fins de abril de 1978; uma construção linda,
com fachada de vidro verde, na esquina da Rua Antonio de Godoy com a Avenida
Rio Branco, no centro de São Paulo. Eram 24 andares de brilho e de imponência
naquele foi um dos mais modernos prédios da capital paulista no seu efêmero
apogeu. Era a Torre de Vidro.
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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...
terça-feira, 8 de outubro de 2019
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Crônica - Parto secreto
Nasci em domicílio, está
lá na minha certidão de nascimento. Nasci em casa, pelas mãos de uma parteira,
que era assim que se nascia no meu tempo. Foi por volta das nove horas da manhã.
Eu sempre soube do meu nascimento em domicílio porque é assim que está no
registro civil; porém, nunca ouvi maiores detalhes sobre a minha vinda ao mundo.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Crônica - Tanta gente que partiu
Depois de 16 anos de exílio, Paulo Freire retornou ao Brasil em 1980; o
primeiro discurso que fez em solo brasileiro foi no TUCA – Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tive a inesperada honra de me fazer
presente naquela noite. Apinhado de gente, o teatro, mesmo em sua imensidão,
não deu conta de acomodar os que foram homenageá-lo. Centenas ficaram do lado
de fora.
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Crônica - De camarões e de apocalipse
Joseph Conrad, de origem polonesa e radicado na Inglaterra, escreveu uma
razoável quantidade de bons livros, em sua maioria ambientados no mar, como Lord Jim, A linha de sombra e Tufão. Livros que evocam a vida dos marinheiros, nos
navios fantasmas que enfrentam os mistérios dos mares revoltos.
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Crônica - Os anos que não terminaram
Em dezembro de 1968 o
astronauta Willian Anders fotografou a terra a partir da Apolo 8, no exato
momento em que orbitava a lua. A imagem, bonita e de um ângulo até então
inédito, correu o mundo. No Brasil, ilustrou a capa da Revista Manchete e assim chegou até Caetano Veloso, que se encontrava preso num quartel do
exército no Realengo, Rio de Janeiro. Inspirado nessa foto, o músico baiano
viria a criar lindos versos: “Quando eu me encontrava preso / na cela de uma cadeia
/ foi que vi pela primeira vez / as tais fotografias / em que apareces inteira
/ Porém lá não estavas nua / e sim coberta de nuvens”. Terra, terra, terra!
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Crônica - Confusões bovinas
Cada época tem as suas próprias expressões populares, palavras da moda. Aparecem
não se sabe de onde, ficam por um tempo. Algumas são engraçadas, outras nem
tanto, mas pegam pelo inusitado e pela aparente insensatez, falta de sentido.
São usadas e consagradas; depois somem do linguajar como se nunca tivessem
existido, não se ouve mais falar delas.
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Crônica - Coisas de gênio
Era ágil e sagaz; corria muito. Dava velocidade ao jogo, mas também
cadenciava a partida quando necessário. O olhar sempre atento varria os quatro
cantos do campo; a visão periférica era aguçada. Via as jogadas frações de
segundos antes dos outros. Com grande
impulsão, subia mais do que os zagueiros. Parava no ar, soberano, esperando a bola; de
olhos abertos, cabeceava firme, via a rede balançando e só depois descia placidamente para o
gramado.
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