Esperava paciente há umas duas horas, aproximadamente. Na sala branca,
acarpetada, eu e mais alguns poucos, todos homens de meia idade, agasalhados,
ocupávamos os já gastos sofás de couro,
outrora mobiliário fino. Sons de máquina de escrever, vindos de muito longe,
era apenas o que se ouvia.
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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...
segunda-feira, 29 de abril de 2019
sábado, 13 de abril de 2019
Crônica - Céu de estrelas
Jack Dempsey, norte-americano, caiu com um potente soco que levou no
queixo. Quem conta é Martín Kohan, em Segundos
fora, da Companhia das Letras: caiu em câmera lenta, com o corpo projetado
para trás. Seus olhos foram se fechando durante a longa e demorada queda, mas
ainda teve tempo de ver que caia por entre as cordas do ringue: estatelou-se no
chão duro e frio do ginásio Polo Grounds, de Nova Iorque, na remota noite de 14
de setembro de 1923.
domingo, 24 de março de 2019
Crônica - O céu do apátrida
O magistral e excêntrico Wilhelm Steinitz não era do meu tempo: só o conheço pelas histórias que ouço e leio. Nasceu em 1836, em Praga, ainda sob a bandeira do Império Austro-húngaro, e se interessou pelo xadrez apenas aos 23 anos de idade – caso raro em meio à precocidade dos grandes campeões. Steinitz foi oficialmente reconhecido como o primeiro campeão mundial de xadrez quando, no ano de 1886, derrotou o polonês Johannes Zukertot no jogo final de um grande torneio que reuniu os melhores enxadristas então conhecidos.
sexta-feira, 8 de março de 2019
Crônica - O céu da pátria
Um cidadão sem grandes ambições mudou a história
mundial ao disparar um tiro certeiro contra o então sucessor do Império
Austro-húngaro: o sérvio Gavrilo Princip matava, em junho de 1914, na cidade de
Sarajevo, capital da atual Bósnia e Herzegovina, o arquiduque Francisco
Ferdinando. Foi o primeiro disparo, aquele que iniciou a Primeira Grande Guerra
Mundial.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
Crônica - Capri, c'est fini
Dois trágicos acontecimentos marcaram
São Paulo no início dos anos 1970: o incêndio do Edifício Andraus, em 1972, com
16 mortos e mais de 400 feridos, e o incêndio do Edifício Joelma, em 1974, com
179 mortos e cerca de 300 feridos. Acompanhei os dois eventos pela televisão,
pelos jornais e pelas revistas da época. Cenas marcantes, que chocaram pela
crueldade das mortes.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Crônica - Chucrute argentino
O chucrute é um dos meus pratos preferidos. Simples e
fácil de ser feito; só requer paciência: com pressa, não chega ao ponto
adequado. Gosto do repolho reduzido na panela, em fogo brando, sem a
fermentação natural. Acompanhado de joelho de porco e de salsichas, o tempero é
completado no prato, com mostarda, amarela ou escura. Simplesmente saboroso.
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Crônica - Céu de Lençóis
Meu pai foi preso na hora
do almoço, quando eu tinha nove ou dez anos. Dois policiais, fardados e
armados, chegaram de surpresa na porta da cozinha, onde almoçávamos. Passaram
pelo portão de madeira, caminho que ficava aberto para a carroça. Entraram
quintal adentro, deram voz de prisão. De surpresa. Na ponta da mesa, quase que literalmente.
Naquele dia sobrou almoço.
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