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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Crônica - Marias e Clarices

O Dr. João Gomes Martins, aos 69 anos, chegava por volta do meio dia. Chegava sem emitir um único som, como se pisasse em nuvens, tão macios eram seus passos. Passava altivo pelo corredor e se dirigia ao seu gabinete, acompanhado do motorista, dublê de segurança. Dali só saia no fim da tarde, com o mesmo silêncio da chegada.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Crônica - Torre de Vidro

Meu primeiro local de trabalho em São Paulo foi no prédio da Companhia Comercial de Vidros do Brasil, em fins de abril de 1978; uma construção linda, com fachada de vidro verde, na esquina da Rua Antonio de Godoy com a Avenida Rio Branco, no centro de São Paulo. Eram 24 andares de brilho e de imponência naquele foi um dos mais modernos prédios da capital paulista no seu efêmero apogeu. Era a Torre de Vidro.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Crônica - Parto secreto

Nasci em domicílio, está lá na minha certidão de nascimento. Nasci em casa, pelas mãos de uma parteira, que era assim que se nascia no meu tempo. Foi por volta das nove horas da manhã. Eu sempre soube do meu nascimento em domicílio porque é assim que está no registro civil; porém, nunca ouvi maiores detalhes sobre a minha vinda ao mundo.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Crônica - Tanta gente que partiu

Depois de 16 anos de exílio, Paulo Freire retornou ao Brasil em 1980; o primeiro discurso que fez em solo brasileiro foi no TUCA – Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tive a inesperada honra de me fazer presente naquela noite. Apinhado de gente, o teatro, mesmo em sua imensidão, não deu conta de acomodar os que foram homenageá-lo. Centenas ficaram do lado de fora.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Crônica - De camarões e de apocalipse


Joseph Conrad, de origem polonesa e radicado na Inglaterra, escreveu uma razoável quantidade de bons livros, em sua maioria ambientados no mar, como Lord Jim, A linha de sombra e Tufão.  Livros que evocam a vida dos marinheiros, nos navios fantasmas que enfrentam os mistérios dos mares revoltos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Crônica - Os anos que não terminaram

Em dezembro de 1968 o astronauta Willian Anders fotografou a terra a partir da Apolo 8, no exato momento em que orbitava a lua. A imagem, bonita e de um ângulo até então inédito, correu o mundo. No Brasil, ilustrou a capa da Revista Manchete e assim chegou até Caetano Veloso, que se encontrava preso num quartel do exército no Realengo, Rio de Janeiro. Inspirado nessa foto, o músico baiano viria a criar lindos versos: “Quando eu me encontrava preso / na cela de uma cadeia / foi que vi pela primeira vez / as tais fotografias / em que apareces inteira / Porém lá não estavas nua / e sim coberta de nuvens”. Terra, terra, terra!

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Crônica - Confusões bovinas


Cada época tem as suas próprias expressões populares, palavras da moda. Aparecem não se sabe de onde, ficam por um tempo. Algumas são engraçadas, outras nem tanto, mas pegam pelo inusitado e pela aparente insensatez, falta de sentido. São usadas e consagradas; depois somem do linguajar como se nunca tivessem existido, não se ouve mais falar delas.