Foi o meu dileto amigo José Alfredo quem me apresentou alguns dos primeiros estádios dos grandes times paulistas. Morumbi, Vila Belmiro, Pacaembu e Brinco de Ouro. Juntos assistimos vários jogos do Santos. Alfredão também me apresentou o melhor do basquete brasileiro. Em 1981, acompanhamos quase todos os jogos do Mundial Interclubes, no Ibirapuera, por exemplo.
Diversas foram nossas viagem para a baixada santista, normalmente nas quartas-feiras, depois do expediente na Praça da Sé. Apreciamos uma geração de ouro: Juary,
Pita, João Paulo, Nilton Batata, Clodoaldo, Gilberto Sorriso,
Airton Lira, Rubens Feijão e Toninho Vieira. Compunham a primeira geração de Meninos da Vila.
Sob a batuta do inesquecível Chico
Formiga, desfilavam em campo. Esbanjavam habilidade e categoria. Os ataques
eram velozes e mortais, com passes precisos que terminavam, invariavelmente, num saboroso balançar das redes. Cada jogo era uma festa.
De quebra, ainda festejamos o título do paulistão de 1978, até a entrada da madrugada, na Avenida Paulista.
O Morumbi esteve lotado para aquela final. Tempos em que o estádio recebia
público de 115 ou 120 mil pessoas. Naquela fria noite de uma quinta-feira, o gosto
amargo da derrota para o São Paulo, no tempo normal de jogo, foi mais do que
compensado com o empate na prorrogação – o que, pelo regulamento e pela melhor campanha
do Peixe durante todo o campeonato, fez com que a taça fosse levada para o
Memorial das Conquistas, na Vila Belmiro.
Zé Alfredo e eu também vibramos juntos em vários
confrontos de basquete, todos de alta qualidade. Sírio x Monte Líbano era um clássico na virada dos anos 1970 para 1980. Oscar Schimdt, Marcel, Marquinhos, Dodi,
Marquinhos e Saiani, sob o comando de Cláudio Mortari, proporcionavam espetáculos
primorosos.
No mundial interclubes de 1981, marcamos presença constante na plateia. Acompanhamos o Ferro Carril (Argentina), Macabi (de Israel), Real Madri (Espanha) e Santa Kilda (Austrália). Também o Bayi Rockets (China), treinado pelo Exército de Libertação do Povo. Sírio e Francana representaram o Brasil. Na final, para frustração generalizada, o Sírio foi derrotado pelo clube espanhol, considerado então um dos melhores times basquete em atividade.
Me lembro bem de Marcel e Oscar Schimdt. Davam espetáculo
em quadra. Um show à parte. Eram a atração, inclusive em torneios no exterior. Marcel lançava na
direção da cesta, pelo alto, Oscar saltava e, com um tapinha preciso, punha para dentro. O Mão
Santa era simplesmente isso, um fora de série. Encantou o mundo do basquete.
Todavia, que pena! Oscar também ficou
na minha memória por uma brutalidade sem tamanho que presenciei: no ginásio do
Monte Líbano, creio que em 1980, o Sírio sofreu uma derrota para os donos da
casa. Um jovem torcedor, quando os jogadores caminhavam para o vestiário,
chamou Oscar, nitidamente para saudá-lo. Ao invés de atenção, o rapaz foi surpreendido
com a mão santa diretamente no seu rosto. Foi um soco apenas, mas o suficiente
para abrir uma brecha no supercílio do fã infeliz. Que pena mesmo!
Ninguém é perfeito. Vai saber o motivo, né?
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