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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

domingo, 22 de março de 2020

Conto - Em branco e preto, 2a. parte

Ao abrigo do escuro e do disfarce eficiente, nosso Reggy se esgueirava, resoluto e firme, pelas calçadas até à casa da amante, Apolônia. Ali, a sós, ambos se deleitavam a mais não poder. Um homem de meia idade e uma mulher jovem, inquieta e cheia de vida, de apetites insaciáveis.

sábado, 21 de março de 2020

Conto - Em branco e preto, 1a parte

Reggy era frequentador assíduo de um casarão, aos fins de semana. Todos os sábados e domingos, sem falta. Chegava sempre à tardinha, para jogar xadrez com um grupo restrito de amigos. Levava o seu próprio jogo de peças, artisticamente entalhadas em marfim e em pau-roxo, com peso na base e de perfeito equilíbrio. Peças bem proporcionadas e acondicionadas no veludo de uma bonita caixa de tampo marchetado e encerado, que carregava sempre consigo.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Crônica - O amor ao longo dos tempos

Albert Camus, argelino, legou uma obra sombria, A peste, com história ambientada na fictícia Oran, cidade à beira-mar argelina. Talvez como metáfora da retirada das forças de ocupação francesas, o autor nos dá o caos de uma cidade sitiada e fechada em si mesma, num amontado de corpos humanos e de ratos.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Conto - Polidactilia

Histórias de mãos cheias de dedos nunca me impressionaram. Sempre encarei como uma particularidade de uns e outros. Jamais me preocupei com isso; por vezes nem percebia. Enfim, não me causavam maiores transtornos, não me incomodavam.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Crônica - Saudades

O pai dela era marceneiro, dos bons. Fazia os móveis da casa e ainda presenteava os filhos, no casamento, com uma cama confortável e de cabeceira ricamente entalhada a formão. Veio moço da Itália, para conhecer a América, com alguns parentes. Só voltaria uma vez para a terra natal: para se casar com a noiva que ficou esperando e para obter a dispensa do Exército Real. Depois disso, muitas cartas, que se perderam no tempo.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Crônica - Marcha para oeste

Quando criança, conheci o Bugre, Seu Joaquim. De fala mansa, poucos dentes na boca, barba branca e rala, dominava as densas matas que davam limites à Vila Mamedina. Percorria as trilhas em busca de ervas medicinais e com elas curava toda sorte de males e doenças da vizinhança. Curou a perna da minha nona, que médico nenhum dava conta; só não deu jeito de curar o netinho, João: o infeliz garoto morreu de tétano, que ninguém nem sabia direito o que era.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Crônica - Essa gente

Ouvi falar de Jimmy Hoffa, pela primeira vez, no ano de 1979, em uma reunião da antiga Convergência Socialista. Foi Babel quem mo descreveu como um sindicalista norte-americano muito poderoso e carismático, personalista e autoritário, que teria sido assassinado alguns anos antes. Seu corpo nunca foi encontrado e nem se soube quem o matou. Hoffa exercia domínio pleno e absoluto sobre tudo que envolvesse os transportes rodoviários do seu país, assim como sobre tudo o que, de algum modo, pudesse interferir nas relações entre sindicato e caminhoneiros.