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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

terça-feira, 7 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado. Capítulo 2. No Morro do Vai e Volta

No Morro do Vai e Volta

Morro do Vai e Volta, Estrada do Vai e Volta, Córrego do Vai e Volta. Ninguém sabe dizer com exatidão sobre a origem do nome, mas é isso mesmo: o morro em que se encrava a minha casa chama-se Morro do Vai e Volta, justamente ao fim da estrada que tem esse mesmo nome. Beirando o córrego do mesmo nome.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Livro - Reverso inclinado, Capítulo 1. Águas Virtuosas


REVERSO INCLINADO


Dedicação
A Bernadete Pereira de Almeida, companheira de uma longa e feliz caminhada; a meu filho Raul Pereira Frezza, lindo presente que Bernadete me deu; a minha mãe, Olga Basso Frezza, cujo sorriso sempre me alegra.
Aos pesquisadores Gaspar Eduardo de Paiva Pereira, Luiz Roberto Judice, Rubens Caruso Júnior e Jurandir Ferreira, dentre tantos outros que preservam e divulgam nossa história.

domingo, 28 de junho de 2020

Crônica - MiNas

Era uma época de muita efervescência; era no final dos anos 1970. De repente, alguém entrava em sala de aula e avisava: todo mundo para o TUCA, que vem gente boa para cantar. Pronto! A aula estava acabada. Corríamos para o superlotado teatro para ver e ouvir os craques da música popular. E não sem uma boa dose de apreensão e suspense, em meio à censura e às truculências da ditadura militar que então sufocava. O ambiente universitário era palco das manifestações artísticas para arrecadar fundos para a Campanha em prol da Anistia que, enfim, veio em Agosto de 1979.

sábado, 13 de junho de 2020

Crônica - Manoel

O teólogo e filósofo Immanuel Kant nasceu e morreu em Königsberg, na antiga Prússia. Nunca saiu de sua cidade natal; vivia no mundo das ideias, da metafísica. Era pura crítica. Criticava tudo, com razão. Erudito ao extremo, iluminou a filosofia moderna. Era metódico nos seus estudos e também nos afazeres cotidianos; adotava rotinas rigorosas para tudo: dormia e acordava, lia e estudava, escrevia e lecionava, sempre nos mesmos horários. Passeava pelos mesmos lugares dos dias anteriores, nos exatos horários dos dias anteriores.

domingo, 31 de maio de 2020

Crônica - E o Oscar vai para ...

Não vi a seleção húngara de futebol, de 1958, jogar. Dizem que era uma excelente esquadra, que merecia o título mundial; entretanto, Puskas e seus companheiros foram inesperadamente derrotados pelos alemães; a poderosa equipe húngara amargou o segundo lugar na competição, para espanto de todos.

sábado, 9 de maio de 2020

Crônica - Os meninos da Rua Paulo


Perdoem-me por voltar ao tema: Nemecseck é um personagem marcante; está entre os meus preferidos, dentre os memoráveis personagens da literatura mundial.  Menino pobre e franzino, morava na Rua Paulo, num bairro da periferia de Budapeste. Pertencia à Sociedade do Betume, composta por um grupo de crianças que defendia, no braço, o seu espaço perante os rivais. Ferenc Molnár imortalizou as históricas que poderiam ser vividas por qualquer menino, em qualquer lugar do mundo. Um livro que fica na memória, na tradução de Paulo Rónai e prefácio de Sérgio Buarque de Holanda. Guardo com muito gosto; leio e releio uma edição de folhas soltas e já desgastadas pelo tempo.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Crônica - Comendo livros

Alguns guardam, com orgulho, a cartilha Caminho Suave, que alfabetizou diversas gerações. Eu perdi a minha, de um modo inusitado. Um vizinho, que voltava da escola, parou na rua da minha casa: para fazer graça, tirei dele um livro ao acaso e dei para uma cabrita, que criavam no quintal da esquina. Ávida por qualquer coisa mastigável, a dita caprina estraçalhou justamente a Caminho Suave do menino. A estupidez me rendeu alguns puxões de orelhas e a perda da minha própria cartilha, que minha mãe me fez dar em troca do que restou daquelas páginas cheias de baba que jaziam por todos os lados.