Dois trágicos acontecimentos marcaram
São Paulo no início dos anos 1970: o incêndio do Edifício Andraus, em 1972, com
16 mortos e mais de 400 feridos, e o incêndio do Edifício Joelma, em 1974, com
179 mortos e cerca de 300 feridos. Acompanhei os dois eventos pela televisão,
pelos jornais e pelas revistas da época. Cenas marcantes, que chocaram pela
crueldade das mortes.
Postagem em destaque
Sobre o Blog
Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Crônica - Chucrute argentino
O chucrute é um dos meus pratos preferidos. Simples e
fácil de ser feito; só requer paciência: com pressa, não chega ao ponto
adequado. Gosto do repolho reduzido na panela, em fogo brando, sem a
fermentação natural. Acompanhado de joelho de porco e de salsichas, o tempero é
completado no prato, com mostarda, amarela ou escura. Simplesmente saboroso.
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Crônica - Céu de Lençóis
Meu pai foi preso na hora
do almoço, quando eu tinha nove ou dez anos. Dois policiais, fardados e
armados, chegaram de surpresa na porta da cozinha, onde almoçávamos. Passaram
pelo portão de madeira, caminho que ficava aberto para a carroça. Entraram
quintal adentro, deram voz de prisão. De surpresa. Na ponta da mesa, quase que literalmente.
Naquele dia sobrou almoço.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Crônica - Uma visita inesquecível
Ninguém conta ao certo quando aconteceu. Apenas
ficaram sabendo do acontecido. A casa foi visitada pelo Encardido. Lá dentro
ele fez estripulias. Muitas estripulias que nem todas foram contadas. Não uma
vez só, muitas vezes. Pegou costume e foi vindo quando bem queria, conforme lhe
dava na cabeça e não havia quem molestasse o cujo.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
Crônica - BG e Mixto
O trem que trazia bagagem tinha o prefixo BG;
transporte de cargas e encomendas, de mercadorias em geral. E de correio, que chegava
cedo. De madrugada, o Seu Dito Correiero já estava na estação, esperando, de
bicicleta. Tinha só um vagão de passageiros, o último da composição: metade
primeira classe, com bancos estofados e revestidos de couro vermelho, metade
segunda classe, com bancos de madeira escura. Bancos diferentes na cor, mas
idênticos na rigidez; ambos davam dores nas costas.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
Crônica - Histórias do Vô Zé Pedro
Um dia ele apareceu com a calva escalavrada, um sulco
vistoso desde a testa até o alto da cabeça. Então ele tirou as botinas, esticou
os pés para perto da boca do fogão de lenha; macetou um Melhoral, dos que
sempre trazia no bolso da camisa, e tomou com um chá, feito pela filha, com água
quente e açúcar. E contou mais uma das suas aventuras: seguia ele, tranquilo e
displicente, sobre a mulinha, num desvio de terra batida da Fonseca em que não passava há tempos. À frente, uma árvore, um galho rebaixado. Olhou bem, achava
que dava para passar. Calculou errado, não deu. Bem que ainda tentou evitar a
topada, mas a mulinha, espantada com o movimento brusco que ele fez para se
abaixar, apertou o passo e o galho ralou a cabeça dele mais forte ainda. Quase
caiu. Equilibrou-se a custo, mas teve que voltar para pegar o chapéu.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Crônica - Segredos da terra
Nos finais de tarde, refrescando do calor intenso, sentávamos
ao pé do Matão, nos fundos do quintal de casa. Tenho poucas lembranças da
época, quase nenhuma; era o catatau do grupo e nem sempre estava junto. O
terreno do pai estava no alinhamento da divisa entre a cidade e o Matão
propriamente dito: uma cerca de arame farpado, três fios brilhantes e
recentemente esticados, nos separavam de uma grande mata virgem, nativa, restos
da original mata atlântica que cobria a região.
Assinar:
Postagens (Atom)