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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

domingo, 23 de maio de 2021

Electric Mifeng - Parte final

 

Na manhã seguinte, os chips estavam carregados e as abelhas, prontas para a decolagem, estavam alinhadas sobre uma placa-mãe-plástica. Ligado o sistema, deu-se a suprema e emocionante primeira revoada, para deleite de Jards. Voaram as explorfengs, em cautelosas panorâmicas e em altitudes alternadas, ora rente ao chão, ora um pouco mais alto, ultrapassando, inclusive, os muros da vizinhança. Jards mal conseguiu conter a emoção, embora conhecesse exatamente todas as etapas da enxameação. No terceiro dia de exploração, já estavam instaladas numa caixa de acrílico fosco, num canto do quintal, que emitia ondas magnéticas de curto alcance de uma atrativa fragrância floral rústica.

domingo, 16 de maio de 2021

Electric Mifeng - Parte I

 

Jards acordou em sobressalto, numa manhã de Outubro de 2057. Achava que tinha perdido a hora. Apressado, pulou da cama, abriu a janela e recebeu a luz ofuscante do sol diretamente na cara; a grande bola vermelha recém-saída do horizonte mostrava que ainda era cedo. Ufa! Que bom, pensou ele!  Era apenas uma questão de controlar a ansiedade. Havia, ao menos, a promessa de um dia quente e propício para a montagem das abelhas elétricas que receberia naquela manhã. Com alguns esforços e sem perder tempo com coisas paralelas, talvez conseguisse montar todas até o final da tarde.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Crônica - Luciano navega em ondas

 

Luciano nasceu em Porto Seguro e ainda jovem se aventurou para as bandas do Sul de Minas, onde veio fazer o Curso de Direito; veio em uma das mais recentes ondas de baianos que por aqui deixam saudades. Tantos vieram ao longo das últimas décadas: Alícia, Heraldo, Rominho, Marcelo, Olodum, enfim, garotos e garotas que alegram o campus, que marcam épocas entre nós e depois vão embora.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Crônica - Crônica condensada

 

Quando criança, eu tinha amizade com dois vizinhos; eram dois irmãos, Laércio e Wilson, com os quais passava as tardes brincando pelas ruas da Vila Mamedina. Ambos me faziam uma inveja danada, periodicamente:- a mãe deles, Dona Teresa, na compra mensal de mantimentos, dava uma lata de leite condensado para cada um. Eles faziam um furo na latinha e saiam para a rua. Passavam a tarde toda exibindo o troféu para os que, como eu, não se davam ao luxo nem sequer de experimentar tal iguaria. Degustar uma lata inteirinha, sozinho? Nem em sonho!

sábado, 9 de janeiro de 2021

Crônica - Memórias

 

Dele herdei o nome, os olhos claros e o gosto pela leitura. Fui seu ajudante durante dois anos, sobre a carroça que atravessava diariamente a cidade entregando lenha. Ainda não se falava em fogão a gás. E fazendo carretos diversos: pesados rolos de sola, do curtume para a Estação Sorocabana; compras mensais de mantimentos, da Sorocabana para a casa dos ferroviários, além de uma série de outras tarefas, sob sol ou chuva.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Crônica - Tugidos e mugidos

 

Os primeiros mugidos de gado eu ouvi quando menino, no Sítio do João Paccola, onde ia, todas as manhãs, buscar um litro de leite. Mugidos que me davam medo, me aterrorizavam: saia correndo, rapidamente. Não ficava para ver o boi, bastavam os mugidos. O gado tinha imponência e dignidade. Botava respeito, era reconhecido.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Crônica - Turma XXXIX

 

Eis que sábado, agora, fui deveras surpreendido: meus alunos do 10º Período Noturno, que ora colam grau, vieram até a minha casa para uma emocionante homenagem. Com festa, faixas e cartazes, me entregaram uma cesta com guloseimas para o café da tarde e uma garrafa de vinho, com rótulo personalizado. Inesquecível homenagem, certamente não merecida.