No tumulto da cena política da virada dos anos 1970 para os 1980, grupos ligados à extrema direita explodiam bombas sem pedir licença, matando pessoas; assim foi na OAB/RJ, onde a secretária da entidade, Lida Monteiro da Silva, morreu ao abrir uma carta-bomba. Incendiavam bancas de jornais nas principais cidades do país, impedindo a venda pacífica de publicações ditas de esquerda. Assim foi com a banca em que eu comprava os jornais do dia, na esquina de casa, no Bixiga, centro de São Paulo.
Era a reação extremista
contra a abertura política que então se avizinhava no país. Foi nesse clima que
se deu a criação do Partido dos Trabalhadores – trabalho árduo feito por operários,
estudantes, lideranças sindicais e políticas, que transpiravam para cumprir as férreas exigências da ditadura que entravavam a criação de novos partidos.
Na PUC/SP, nas
Perdizes, onde ainda se percebia o peso do gás lacrimogênio das bombas lançadas
pelo Coronel Erasmo Dias, dois anos antes, nossas reuniões eram sistematicamente
dispersadas pelo alagoano Aldo Rebelo, conhecido militante do PCdoB, combatente
da ditadura e como tal respeitado justamente no meio estudantil. De quem menos se
esperava, dele vinha uma reação virulenta contra a criação do PT. De cara
lavada, fazia o impossível para impedir que a nova agremiação vingasse.
Décadas depois, no entanto, referido personagem integrou os sucessivos governos petistas, na cota dos partidos de apoio – claro, também de cara lavada, como que não se lembrando do que fizera antes. E eis que agora, já sem penetração alguma na esquerda, Aldo volta aos holofotes, adulando a extrema direita nazifascista para angariar algum cargo ou mandato na extrema direita.
Assim caminha o vira-casaca, oportunista de plantão. Ou vira-casacas, no plural, pois que são muitos e de todos os naipes. Num rol exemplificativo figuram Marta Suplicy e Michel Temer, Ferreira Goulart e Pondé, Miriam Leitão e, sem nenhuma surpresa, Fernando Gabeira. O ícone da esquerda, que voltou do exílio em Estocolmo para desbundar pelas areias de Ipanema com uma provocativa tanga de crochê, vem agora pedir o fechamento do STF, bastião último da já frágil democracia brasileira.
Oi Exinho, nada mais crível do que aquilo contado por quem viveu a coisa por dentro. E muito bem contado.
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