Na imagem
reflexa de antigo espelho
Sonhos
vividos plenos em fulgor.
É quando o
tempo, presto e de estrambelho,
estilhaça o
vidro, rompe o esplendor.
Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...
Na imagem
reflexa de antigo espelho
Sonhos
vividos plenos em fulgor.
É quando o
tempo, presto e de estrambelho,
estilhaça o
vidro, rompe o esplendor.
Tempo, tempo, tempo
Quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Não serei nem terás sido
(Caetano Veloso)
Deu-se na chegada da hora inconteste
Enxergava jazendo emudecido
Espreitando calado o vento leste
Porém tudo escutando comovido.
Quando ele nasceu um Anjo lhe disse:
Vai, cara, vai ser um merda na vida!
Foi desse jeito mesmo, como se dissesse por
gabolice.
Foi assim, de mau agouro, que o cara entrou na vida
sofrida.
Eis
uma poesia que foi pensada, inicialmente, para destacar as belezas do campus
da PUC em Poços de Caldas. E como tal vai aqui publicada. Posteriormente, o que
era uma simples poesia virou um conto, cujo teor será postado daqui a alguns
dias. Por enquanto, pois, apenas a poesia:
CAMINHANDO PELO CAMPUS
No arremedo de hendecassílabos versos
um poeta ignoto, já mal ajambrado,
professa: caros caminhantes dispersos,
eis um campus para sempre ser lembrado.
VIRADO DE SACI
- E aí, Mestre Bucha, meu querido... Tem Virado
de Saci. Quer comer?
- Esse eu não conheço, Professor. Nunca nem ouvi falar.
- Pois então, venha aqui conhecer.
- Uai, se é bom, então deixe eu provar!
GARGALHADAS
Príncipe de Embaré,
Rei de Safira,
com capa e cartola
fumo charuto.
De branco, preto e
vermelho, soluto
sou sentinela,
detesto a mentira.
Li, no Facebook, um poema atribuído à Rob Goodwin. É sobre um bichinho deveras maltratado, vítima constante de uma canina perseguição – o nosso velho conhecido gambá. Típico da área rural, ele tem hábitos noturnos e é de todo inofensivo: não ataca as pessoas, não transmite doença alguma, não atira jato de urina e nem exala cheiro ruim, seja em que situação for; aliás, é tão cioso da sua higiene quanto o são os gatos. Mas carrega, infelizmente, uma injustificável má-fama, a ponto de ser perseguido até a morte.
És de pano escalavrado, oh! meu
chapéu,
presente que recebi de um lavrador.
Posto que farrapos, segues protetor:
no passo do tempo és meu sobrecéu.
Edgar Alan Poe é um dos meus preferidos, dentre tantos que admiro nas letras. Um contista perfeito: O Barril de Amontilado, por exemplo, é uma verdadeira obra prima, que não me canso de reler. É dele também O Corvo, poesia enigmática e dolorida; conta-se para além de 50 versões para a língua portuguesa, com as mais variadas leituras, releituras, adaptações e estudos, inclusive na versão concretista, dos irmãos Campos. Há, também, uma versão musical muito curiosa e interessante, feita por uma dupla sertaneja dos anos 1970, Conde e Drácula, que vale a pena ser ouvida.
Nasci pelas mãos da parteira por não
ser delfim,
embalado no papelão para não passar
frio,
dormi no colchão de palha de milho (que
macio!).
Colhi merda de burro pra botarem no
jardim.
Absorto,
imerso nas lides recorrentes,
não
me dei conta do horror que sobrevinha.
Sem
nem olhar pra trás, um gelo na espinha,
corri sem ver as despedidas pendentes.
Os viajantes da dupla Leonel Rocha e Campos percorreram uma grande quantidade de cidades paranaenses, em Paraná Querido, enquanto que os viajantes de Caetano foram de Santo Amaro da Purificação a Xerém, numa viagem interestadual. O mesmo Caetano, curioso e deslumbrado, botou-se ele próprio perambulando pelas esquinas concretas da Ipiranga com a São João, no fascinante centro de Sampa.