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Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Crônica - Comendo livros

Alguns guardam, com orgulho, a cartilha Caminho Suave, que alfabetizou diversas gerações. Eu perdi a minha, de um modo inusitado. Um vizinho, que voltava da escola, parou na rua da minha casa: para fazer graça, tirei dele um livro ao acaso e dei para uma cabrita, que criavam no quintal da esquina. Ávida por qualquer coisa mastigável, a dita caprina estraçalhou justamente a Caminho Suave do menino. A estupidez me rendeu alguns puxões de orelhas e a perda da minha própria cartilha, que minha mãe me fez dar em troca do que restou daquelas páginas cheias de baba que jaziam por todos os lados.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Poesia - Poesias emprestadas

Não sabendo fazer poesia, pedi algumas, de empréstimo, para quem sabe da arte. Foi assim que meus amigos e poetas Clarice Villac, Marilene Duarte, Maurício Baptista Vieira, Santino Frezza e Tadeu Rodrigues, gentilmente, permitiram a postagem de hoje.

domingo, 12 de abril de 2020

Conto - Uma partida dos diabos

Fui mordomo, por muitos anos, de uma família abastada. Pai, mãe e filho único moravam num castelinho, num alto de montanha, lugar afastado da cidade. O filho sempre foi excêntrico, de hábitos soturnos e estranhos, razão pela qual, aliás, fui contratado. A ele eu devotava meus cuidados; fui contratado basicamente para cuidar dele, em tempo integral. Louis, esse era o seu nome, pouco me notava; nada me exigia de extraordinário.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Crônica - São Paulo vazia

Acalentei um sonho: queria ser hippie e me mudar para São Paulo, morar nas ruas e vender artesanatos na Praça da República. Dali eu sairia pelo mundo, caminhando para onde desse e com quem fosse. Queria ser um pé na estrada, um sem destino; não queria nem lenço e nem documento.

domingo, 29 de março de 2020

Crônica - Pião, piorra

Quando eu era mocinho, gostava dos bailes de carnaval do CSEC, o clube social da minha cidade. Era dos primeiros a chegar ao salão e ficava até alta madrugada, quando tudo então silenciava. Tinha uma energia danada, pulava a noite inteira, cantava, brincava com os amigos – cidade pequena, todos eram amigos.

domingo, 22 de março de 2020

Conto - Em branco e preto, 4a. parte

Passei muitas dificuldades. Sou descendente de escravos e nunca tive muitas oportunidades na vida. Meu pai, que trabalhava em uma quinta, me colocou num Seminário, onde me fiz Diácono. Hoje, felizmente, levo uma vida tranquila: com minhas túnicas alvas, que contrastam com o meu tom de pele, exerço meu oficio nas igrejas da região.

Conto - Em branco e preto, 3a. parte

Plácido casou-se já com idade um pouco mais avançada, tomando uma jovem e bela mulher como esposa. Talvez até mais por interesse, eis que ela herdara uma quinta, famosa pela boa produção de uvas viníferas. Apolônia era o nome dela.