Era uma época de muita efervescência; era no
final dos anos 1970. De repente, alguém entrava em sala de aula e avisava: todo
mundo para o TUCA, que vem gente boa para cantar. Pronto! A aula estava acabada.
Corríamos para o superlotado teatro para ver e ouvir os craques da música popular.
E não sem uma boa dose de apreensão e suspense, em meio à censura e às
truculências da ditadura militar que então sufocava. O ambiente universitário era
palco das manifestações artísticas para arrecadar fundos para a Campanha em
prol da Anistia que, enfim, veio em Agosto de 1979.
Postagem em destaque
Sobre o Blog
Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...
domingo, 28 de junho de 2020
sábado, 13 de junho de 2020
Crônica - Manoel
O teólogo e filósofo Immanuel Kant nasceu e
morreu em Königsberg, na antiga Prússia. Nunca saiu de sua cidade natal; vivia
no mundo das ideias, da metafísica. Era pura crítica. Criticava tudo, com razão.
Erudito ao extremo, iluminou a filosofia moderna. Era metódico nos seus estudos
e também nos afazeres cotidianos; adotava rotinas rigorosas para tudo: dormia e
acordava, lia e estudava, escrevia e lecionava, sempre nos mesmos horários. Passeava
pelos mesmos lugares dos dias anteriores, nos exatos horários dos dias
anteriores.
domingo, 31 de maio de 2020
Crônica - E o Oscar vai para ...
Não vi a seleção húngara de futebol,
de 1958, jogar. Dizem que era uma excelente esquadra, que merecia o título
mundial; entretanto, Puskas e seus companheiros foram inesperadamente
derrotados pelos alemães; a poderosa equipe húngara amargou o segundo lugar na
competição, para espanto de todos.
sábado, 9 de maio de 2020
Crônica - Os meninos da Rua Paulo
Perdoem-me por voltar ao tema: Nemecseck é um personagem marcante; está
entre os meus preferidos, dentre os memoráveis personagens da literatura
mundial. Menino pobre e franzino, morava
na Rua Paulo, num bairro da periferia de Budapeste. Pertencia à Sociedade do
Betume, composta por um grupo de crianças que defendia, no braço, o seu espaço
perante os rivais. Ferenc Molnár imortalizou as históricas que poderiam ser
vividas por qualquer menino, em qualquer lugar do mundo. Um livro que fica na
memória, na tradução de Paulo Rónai e prefácio de Sérgio Buarque de Holanda.
Guardo com muito gosto; leio e releio uma edição de folhas soltas e já
desgastadas pelo tempo.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Crônica - Comendo livros
Alguns guardam, com orgulho, a cartilha Caminho Suave, que
alfabetizou diversas gerações. Eu perdi a minha, de um modo inusitado. Um
vizinho, que voltava da escola, parou na rua da minha casa: para fazer graça,
tirei dele um livro ao acaso e dei para uma cabrita, que criavam no quintal da
esquina. Ávida por qualquer coisa mastigável, a dita caprina estraçalhou
justamente a Caminho Suave do menino. A estupidez me rendeu alguns
puxões de orelhas e a perda da minha própria cartilha, que minha mãe me fez dar
em troca do que restou daquelas páginas cheias de baba que jaziam por todos os
lados.
terça-feira, 21 de abril de 2020
Poesia - Poesias emprestadas
Não sabendo
fazer poesia, pedi algumas, de empréstimo, para quem sabe da arte. Foi assim
que meus amigos e poetas Clarice Villac, Marilene Duarte, Maurício Baptista
Vieira, Santino Frezza e Tadeu Rodrigues, gentilmente, permitiram a postagem de
hoje.
domingo, 12 de abril de 2020
Conto - Uma partida dos diabos
Fui mordomo,
por muitos anos, de uma família abastada. Pai, mãe e filho único moravam num
castelinho, num alto de montanha, lugar afastado da cidade. O filho sempre foi
excêntrico, de hábitos soturnos e estranhos, razão pela qual, aliás, fui
contratado. A ele eu devotava meus cuidados; fui contratado basicamente para cuidar dele, em tempo integral. Louis, esse era
o seu nome, pouco me notava; nada me exigia de extraordinário.
Assinar:
Postagens (Atom)