Postagem em destaque

Sobre o Blog

Despretensiosos e singelos: é assim que vejo minhas crônicas e meus contos. As crônicas retratam pedaços da minha vida; ora são partes da ...

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Crônica - Mão Santa

 

Foi o meu dileto amigo José Alfredo quem me apresentou alguns dos primeiros estádios dos grandes times paulistas. Morumbi, Vila Belmiro, Pacaembu e Brinco de Ouro.  Juntos assistimos vários jogos do Santos. Alfredão também me apresentou o melhor do basquete brasileiro. Em 1981, acompanhamos quase todos os jogos do Mundial Interclubes, no Ibirapuera, por exemplo.

sábado, 21 de março de 2026

Crônica - Nino, o italiano

 

Antes da primeira televisão chegar, brincávamos, à noitinha, na Expedicionários. Ladeira de terra batida e de respeitáveis voçorocas, nos limites da Vila Mamedina, era ali que pai e mãe postavam, depois da janta, as cadeiras no portão. Esperavam a vizinhança. Pique latinha, passa anel, pega-pega, advinhas e joga-lencinho eram diversões habituais. Queimada, só vez ou outra – faltava bola.

Poesia - Soneto do espelho e do encanto

Na imagem reflexa de antigo espelho

Sonhos vividos plenos em fulgor.

É quando o tempo, presto e de estrambelho,

estilhaça o vidro, rompe o esplendor.

sábado, 14 de março de 2026

Crônica - O vira-casaca

 

No tumulto da cena política da virada dos anos 1970 para os 1980, grupos ligados à extrema direita explodiam bombas sem pedir licença, matando pessoas; assim foi na OAB/RJ, onde a secretária da entidade, Lida Monteiro da Silva, morreu ao abrir uma carta-bomba. Incendiavam bancas de jornais nas principais cidades do país, impedindo a venda pacífica de publicações ditas de esquerda. Assim foi com a banca em que eu comprava os jornais do dia, na esquina de casa, no Bixiga, centro de São Paulo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Carta para meu amigo J. M.

 

Ao amigo J. M.

Em mãos

 

Caríssimo J.M, devolvo-lhe a biografia do Maluco Beleza. Não diga que a canção está perdida. Você foi muito gentil ao me emprestá-la, sobretudo sabendo do meu apreço pelo baiano arretado, baiano de Quenguenhém, oito horas de mula, doze de trem. Meu filho, inclusive, tem o nome em homenagem ao pai do rock brasileiro.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Crônica - Em nome de Jesus

 

“Deus sabe o quanto odiávamos os invasores aliados e os emigrados que os inspiravam, mas odiávamos muito mais os vendeanos, como eram chamados os revoltosos. A hipocrisia de seu grito de guerra ‘Por Jesus’, e dos estandartes do Sagrado Coração que conduziam como se estivessem engajados numa nova cruzada, só era ultrapassada pela brutalidade com que agiam.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Poesia - Hora chegada

                                                                          

Tempo, tempo, tempo

Quando eu tiver saído

 Para fora do teu círculo

 Não serei nem terás sido

(Caetano Veloso)




Deu-se na chegada da hora inconteste

Enxergava jazendo emudecido

Espreitando calado o vento leste

Porém tudo escutando comovido.

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Crônica - Projeções

 

As imagens vão se sucedendo, nítidas, a uma velocidade uniforme de vinte e quatro quadros por segundo. Não há uniformidade no desenrolar dos diversos planos, como que numa montagem aleatória, despreocupada com começo, meio e fim. Tudo transcorre no amplo cenário que se vislumbra entre Apiaí, Iporanga e Eldorado.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Crônica - Volta Seca

 

Quando tudo parecia caminhar para um destino trágico, eis que Volta Seca veio a despontar para um relativo sucesso na seara musical. Nascido em Saco Torto, no agreste sergipano, em 1918, entrou para o grupo de Lampião aos dez anos de idade. Levou ao líder, colado no sovaco, um franguinho como mimo. Implorou o mais que pode para, enfim, ser aceito como ajudante de limpeza nos acampamentos. Vez ou outra também fazia tocaia.

domingo, 1 de junho de 2025

Poesia - O Anjo do Destino

 

Quando ele nasceu um Anjo lhe disse:

Vai, cara, vai ser um merda na vida!

Foi desse jeito mesmo, como se dissesse por gabolice.

Foi assim, de mau agouro, que o cara entrou na vida sofrida.

 

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Crônica - Capim Guiné

 

Numa das travessias de balsa que fiz pelo Buranhém, de Arraial D’Ajuda para Porto Seguro, experimentei sublime paz de espírito em elevada contemplação do nada. Absorto e desgarrado do mundo, assim fiquei naqueles instantes, entre um cais e outro. Um marujo, deitado na proa e olhando para o infinito azul celeste, assoviava, hábil, Capim Guiné, gravada por Raul Seixas. O assovio que se sobrepunha ao ronco dos motores e me erguia em êxtase inexplicável. Escutava apenas a música e nada mais. Mirando as águas calmas do caudaloso rio, vivi na ocasião um mágico entardecer.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Crônica - 25 de abril

 

Das mesas em frente aos bares da Passarela do Álcool, em Porto Seguro, se avista um lindo mar esverdeado, em cujas águas calmas o olhar de quem o contempla navega livremente, até aos mais distantes limites que o imaginário pode alcançar. É um cenário perfeito para um gostoso fim de tarde de verão. O corpo queimado, com vestígios do sal das praias do Arraial D’Ajuda, a travessia de balsa pelo Buranhém. Um prato de lambretas ao molho vinagrete, uma cerveja gelada e a imaginação correndo solta, tudo na mais pura solidão em meio a hippies e descolados de todas as línguas.

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Crônica - Tardes de inverno

 

Tardes de inverno inesquecíveis são as que passei com o Vô Zé Pedro, na Grotinha, bairro da zona rural de Estiva/MG. Aos sábados, depois de um cochilo rápido do pós-almoço, lá ia eu caminhando ao pé das cordilheiras que, uma de cada lado, guardam a estradinha de terra batida que leva até a casa. Duas altas e imponentes cordilheiras que por ali vão se fechando, pouco a pouco, até formarem o vértice de um triângulo. Bonito caminho, aquele. Retardava o passo só para apreciar a paisagem. De baixo para cima, até onde a vista alcançava.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Crônica - Cumuruxatiba

 

Estivemos na então desconhecida Cumuruxatiba, ao sul de Porto Seguro, em março de 1992. Viajamos tão logo confirmada a gravidez da minha companheira, Bernadete, que esperava o nosso querido Raul. Três dias de viagem de São Paulo até lá, num Ford Escort de segunda mão, com duas paradas pelo caminho: em Rio das Ostras/RJ e em Aracruz/ES. Nesta última aproveitamos as boas instalações de um hotel, que compensou o cheiro nauseante da imensa fábrica de celulose que já predominava no local.

sábado, 23 de novembro de 2024

Conto - Caminhando pelo campus

 

Em noites de sono desequilibrado e inconstante, fico num tal de dorme e acorda, me viro de um lado e para outro da cama. Me levanto e logo deito de novo. Fico num vai e volta que não me aguento. Durmo, não durmo, fecho e abro os olhos. Algumas vezes eu durmo profundamente mesmo estando acordado; outras vezes eu me sinto desperto por inteiro, ativo e em plena lucidez mesmo estando dormindo o mais pesado sono dos justos. E nessas ocasiões eu caminho dormindo, feito um alucinado e sem rumo certo. Eu ando, ando e ando. Ando dormindo ou acordado, como um sonâmbulo. É o que mais tenho feito. Ando pela casa, pelo quintal, ando pelas calçadas, ruas e praças da cidade. Quase todas as noites é assim. Dobrar a dose do sonífero pouco ou quase nada resolve.

domingo, 20 de outubro de 2024

Poesia - Caminhando pelo campus

 


Eis uma poesia que foi pensada, inicialmente, para destacar as belezas do campus da PUC em Poços de Caldas. E como tal vai aqui publicada. Posteriormente, o que era uma simples poesia virou um conto, cujo teor será postado daqui a alguns dias. Por enquanto, pois, apenas a poesia:

 

CAMINHANDO PELO CAMPUS


No arremedo de hendecassílabos versos

um poeta ignoto, já mal ajambrado,

professa: caros caminhantes dispersos,

eis um campus para sempre ser lembrado.

domingo, 29 de setembro de 2024

Crônica - Ternas memórias

 

Eis que me chega, como regalo do meu filho Raul, As Ternas Memórias de Julio Escobar e Outras Rememorações, livro com 18 contos da lavra do escritor e querido amigo Marco Antonio Bin, lançado em 2023 pela Mondru Editora. Garantia de uma leitura agradável, estou certo disso, pelo tanto que conheço do estilo fluente, leve e inteligente que caracteriza os textos do autor.

domingo, 25 de agosto de 2024

Artigo - A noite escura nos poemas de São João da Cruz e de Thiago de Mello

 

Este artigo é fruto de uma comunicação apresentada no 34º Congresso Internacional da SOTER -Sociedade de Teologia e Ciências da Religião, realizado entre 11 e 15 de junho de 2022, em que se coteja o poema de São João da Cruz, Noite escura, com o poema do brasileiro Thiago de Mello, Madrugada camponesa. Apesar do notório caráter político-social dos poemas de Thiago de Mello, que é o traço dominante das suas obras, é possível encontrar vários pontos de contato entre os dois poemas, dado que ambos trabalham as ambiguidades noite/dia, claro/escuro, inércia/transformação, abandono/superação e esperança/miséria.

 

Link para leitura completa:

https://ojs.europubpublications.com/ojs/index.php/ced/article/view/5140/3855


domingo, 21 de julho de 2024

Crônica - Canción Mixteca


 

Eis uma poesia para ser apreciada palavra por palavra, verso por verso, rima por rima. Pausadamente: Canción mixteca. Melhor se apreciada em espanhol, língua que confere toda a dramaticidade que o tema requer.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Crônica - Girondino

 

Eis que o Girondino, restaurante tradicional do centro da Capital paulista, anuncia o cerramento das portas. Aberto em 1998, sucumbiu aos efeitos críticos da pós-pandemia. Pratos excelentes, preços moderados e um bom lugar para um requintado café. Situado na esquina das ruas Boa Vista e São Bento, do seu interior gostosamente decorado se avistava, pelas janelas envidraçadas, o imponente mosteiro de São Bento e todo o largo que se descortina a sua volta.